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O telemóvel que não pára de tocar

domingo, 6 de setembro de 2009
Minha mente confusa, meu coração destroçado obrigavam-me a ficar acordado.
Deitado na cama olhando para o despertador desejando que tempo o volte para trás.
Apagar os erros que cometi, começar de novo e dar o meu melhor. Claro, sem efeito. Lembro-me de a sentir deitar-se a meu lado de costas para mim sem dizer uma única palavra. Nem se aproximou e eu não me consegui mexer. Tentei chorar mas com receio que ela me pudesse ouvir não o fiz. Fiquei olhando fixamente para os números vermelhos do relógio pensando no traste que sou. Lembro-me como se fosse hoje. O relógio parecia estar parado às 03:27. Nunca um minuto demorara tanto tempo a passar. Voltei a olhar para o relógio, eram 10:12. O sol ja brilhava em todo o seu esplendor, penso ter adormecido. Estava demasiado atrasado para ir trabalhar e com a minha disposição, nem telefonei a informar de que estava “doente”. Sim, não era mentira nenhuma, sabia que algo errado se passava comigo. Desde que tudo começou a correr mal que sinto dores bastante fortes no peito. Talvez por meu coração estar destroçado. Olhei para o outro lado da cama, ela não estava mais ao pé de mim. Senti o seu aroma na almofada que me repeliu da cama. Lavei a cara e olhei-me ao espelho. Comecei a recordar toda a falsidade que me levou a este ponto. Senti-me mal disposto. Literalmente, náuseas apoderaram-se de mim. Vomitei. O que se passa comigo?
Fui tomar banho para me recompor e eis que ouvi o telemóvel tocar.
“Deve ser do trabalho” – Pensei eu deixando-o tocar continuamente.
Enrolado na toalha e a secar o cabelo fui ver quem me telefonara.
13 Chamadas perdidas. Minha mãe telefonara-me repetidamente. Ao deparar-me com aquilo senti um vazio enorme por dentro. Será presságio? Deve ter acontecido algo de muito grave. Telefonei-lhe e eis que ela diz muito aflita:
“-Finalmente falo contigo! Anda ao hospital depressa! Aconteceu algo! Ela...”
Desliguei a chamada. Fiquei parado a olhar para o espelho. O telemóvel voltou a tocar mas eu não me mexia.

Suplícios

sábado, 5 de setembro de 2009
Em tempos acreditei que tudo estava perfeito. Como me equivoquei. Magoei quem mais amava e quando isso acontece deixamos de recear seja o que for. Tentando ocultar pequenos defeitos fui criando outros ainda maiores que me iriam atormentar de tal forma que eu tentei evitar usando o caminho mais fácil. Errei miseravelmente. Aquele sorriso que outrora me conquistara desvaneceu. Tal como uma bela rosa que ao cortar sua raiz acabará por murchar mais depressa que as demais. É assim que me sinto. Murcho, morto. Receoso de a perder.
Não farei nada para que ela me possa perdoar pois será em vão. Não tem perdão. Mentiras plantadas em torno de seu coração, cresceram em forma de silvas e seus impiedosos picos mais parecem garras o vão ferindo cada vez mais levando-a ao desespero. Choro… Mas de nada adianta… O mal está feito e não há como remendar. Perdido, não sei para que lado me virar. Sozinho, com ela a meu lado mas sozinho. Ela perdera toda a fé em mim, não a censuro.
Sendo eu lixo, tolice será a dela se decidir dar-me outra oportunidade. Pois desculpas não se pedem, evitam-se.
Deixá-la será a melhor opção? Para quem? Não vivo sem ela, sem ela não sou nada mas foi nisso que me tornei. Não há muita diferença. Mas se me mantiver a seu lado, certamente a farei sofrer cada vez mais. E não suportorto a ideia de fazê-la derramar mais uma lágrima por meus actos impuros.
Sou falso e egoísta. Mas não sou completamente insensível ao ponto de a magoar outra vez. Amo-a demasiado para tal e sendo especial como é, merece ser verdadeiramente feliz.
Que fazer? Alguém me diga… Suplico… Tal como ela suplicou…